WunderLeben |
IMPRESSÕES DAS IMPRECISÕES DA VIDA. |
Penso que o Interesse é a mãe do Progresso. Não fosse pelo “bendito” talvez eu não poderia escrever este texto. Sempre há alguém que num discurso inflamado prometa “combater os interesses…”. Pura utopia. Os interesses não se excluem, se sobrepõem. Por mais convincente que o orador seja.
A despeito da minha visão desencantada, me espanta a forma escancarada com que as relações de interesse se dão hoje em dia, tendo sempre o “ganho imediato” como princípio e fim. Você que já foi alvo de perguntas do tipo: “O que eu ganho com isso” ou “O que você tem a me oferecer” sabe do que falo.
Não posso falar em nome aqueles com “cabelos brancos”, mas a impressão que tenho é de que “naqueles tempos” aceitava-se melhor fatos inexoráveis como perda e derrota ou ganho a médio e longo prazos. Eram tempos em que Restart (com o perdão do trocadilho) e Fast Forward não existiam.
Fomos mimados demais nos tempos que se seguiram. Nos tornamos seres profundamente mal acostumados que vivem da ânsia de ganhar, e sempre. Não entendemos que, dessa forma, acabamos por perder a nossa dignidade e também por nos perder.
Escrevo pensando nos jovens que se veem obrigados a abrir mão do direito ao aprendizado e à uma remuneração justa para conseguir um trabalho. E no desafio que homens e mulheres enfrentam num tempo em que ser e parecer honesto não é o bastante. Tem que ser “bem resolvido” para valer a pena…
Com o perdão dos otimismas, não acredito em saída para o beco em que nos metemos. Pelo simples fato de que ninguém reconhece a necessidade de errar para se aprender, o quanto ganhamos quando perdemos. Vez ou outra uma crise nos tira da “zona de conforto”. A quem interessa?